As descobertas são crueis quanto mais busco um evangelho verdadeiro, mais encontro pessoas fazendo do evangelho (distorcido, moido, e fora da sua essência) trampolim para seus anseios e desculpa para suas loucuras pessoais.
Sinceramente, gostaria de acreditar que isso é inconsciente mas não posso. A leitura do evangelho é simples e clara, os autores dos evangelhos nos trazem um ensinamento de um homem, onde as pessoas doentes são a principal causa de sua vinda, sua maior motivação é trazer vida ao que esta morto, cura ao que está ferido, paz ao angustiado...nossas igrejas que deveriam ser nossos pronto socorros, lugares onde pessoas feridas vão para buscar cura, se tornaram locais de abertura de feridas, e são feridas profundas, em nada superficiais.
Pastores de deveriam ser ministradores da cura, do balsámo, se tornam inquiridores pessoas cruéis capazes de mentir, distorcer, e buscar sua afirmação de ser supremo a qualquer custo, é claro que nesta história quem paga a conta é o membro mais humilde, agora para ser cristão é necessário ser bem sucedido, ter carro do ano e andar de terno e gravata...o engraçado é que ladrões de bancos nunca assaltam de chinelo e bermuda, mas sempre como esses "senhores" acreditam ser modelo ideal de cristandade.
Quando Jesus, no chamado de Mateus, convida um publicano ao ministério e janta com ele se encontra rodeado de mal feitores da época, e a Bíblia nos fala que ali houve salvação, leia-se por cura essa palavra, e veja o que realmente devemos viver, não estou dizendo que seus e meus melhores amigos devam ser pessoas da pior espécie mas, estou dizendo que quando estivermos neste tipo de ambiente hostil devemos levar cura, levar o evangelho autêntico, ser reflexo da humildade e desejo de Cristo.
Para vocês deixo parte de um texto de um autor que venho lendo:
"Se conhecêssemos o Novo Testamento de cor, se ouvíssemos seus trovões soando em nossos ouvidos, distinguindo-os dos sons tolos e das sirenes persuasivas do mundo, se soubéssemos de cor ao menos uma sílaba de uma palavra dentro de uma sentença do Sermão do Monte, se déssemos ouvidos à voz da Águia de Pátmos, se crêssemos que nos deixarmos ser amados por Deus é mais importante que amar a Deus, nunca mais toleraríamos as maquinações de religiosos manipuladores que distorcem a face de Deus. Nunca mais os que caíram seriam humilhados publicamente diante da congregação. Nunca mais pregadores destemperados teriam autorização para aterrorizar pessoas nos bancos das igrejas. Nunca mais nos colocaríamos ao lado de celebridades clericais e nos curvaríamos aos ricos poderosos. Nunca mais a primazia de amar estaria subordinada a uma suposta ortodoxia."
A sabedoria da ternura.
BRENNAN MANNING